Luto: a vida de quem fica

Perece o justo, e não há quem se importe com isso; os homens compassivos são arrebatados, e não há ninguém que entenda. Pois o justo é levado antes que venha o mal, 2 e entra na paz; descansam nas suas camas todos os que andam na retidão. ISAÍAS 57: 1

Uma mulher vai até Buda com o filho morto nos braços e suplica que o faça reviver. Buda diz a ela que vá a uma casa e consiga alguns grãos de mostarda. Mas, para trazer de volta a vida do menino, esses grãos devem ser de uma casa onde nunca morreu ninguém. A mãe vai de casa em casa, mas não encontra nenhuma livre da perda.

A parábola budista explora a lição mais óbvia e mais difícil da vida: A MORTE É COMUM A TODOS. Todos têm uma experiência próxima de morte ou na família ou de amigos ou de amigo de algum amigo. Como passar pelo luto? Como consolar alguém de luto?

O texto bíblico de Isaías 57 citado acima nos ensina que a morte não é um mal e que morrer, para o justo, é descansar em Deus.

Mas, e para quem fica? Por que sofremos tanto? Primeiro precisamos entender que a dor é de quem fica; choramos não por quem partiu, mas por nós mesmos. Como dizia o poeta inglês John Donne: “ nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”. Quanto mais próximos da pessoa que se foi, maior o pedaço de nós que morre junto com ela e maior a nossa dor.

A primeira coisa a fazer é chorar. Chore e chore. Chore muito. Não é sinal de fraqueza, pois a dor não é física, embora não menos intensa. Também não é falta de espiritualidade se o choro é sincero, sem sinais de revolta contra a vida e contra Deus.

Quando Jacó morreu, José do Egito, seu filho, homem de fé e temente a Deus, chorou a sua morte.

Gn 49: 33 Acabando Jacó (ou Israel) de dar estas instruções a seus filhos, encolheu os seus pés na cama, expirou e foi congregado ao seu povo.

50: 1 Então José se lançou sobre o rosto de seu pai, chorou sobre ele e o beijou. 2 E José ordenou a seus servos, os médicos, que embalsamassem a seu pai; e os médicos embalsamaram a Israel. 3 Cumpriram-se-lhe quarenta dias, porque assim se cumprem os dias de embalsamação; e os egípcios o choraram setenta dias. 10 Chegando eles à eira de Atade, que está além do Jordão, fizeram ali um grande e forte pranto; assim fez José por seu pai um grande pranto por sete dias. 11 Os moradores da terra, os cananeus, vendo o pranto na eira de Atade, disseram: Grande pranto é este dos egípcios; pelo que o lugar foi chamado Abel-Mizraim, o qual está além do Jordão.

Abraão, o pai da fé, quando sua esposa morreu, também chorou : “Ora, os anos da vida de Sara foram cento e vinte e sete. 2 E morreu Sara em Quiriate-Arba, que é Hebrom, na terra de Canaã; e veio Abraão lamentá-la e chorar por ela”. Gn 23:1

Mas, diferente de quem partiu, por maior que seja a dor, a vida de quem ficou segue o seu rumo. Isso não podemos esquecer. A morte desorganiza, deprime. Mas o luto tem começo, meio e fim. Nesse processo, a dor da perda se transforma em saudade, e a vida continua, com outro sentido.

A dificuldade de encarar o fim como parte da existência é o que faz do luto uma experiência tão assustadora, mesmo para os cristãos. “A morte é sempre vista como um acidente de percurso ou um castigo divino”, diz a psicóloga Clarice Pierre, especializada no atendimento de doentes terminais.

Se o desapego budista é uma utopia, a preparação para encarar a morte de forma menos traumática é possível, e começa mesmo na infância. “Criança pode ir a velório e receber respostas honestas sobre a morte, em vez de explicações fantasiosas, como a de que a pessoa viajou ou virou uma estrela.” No dia a dia, é preciso tratar as perdas como parte da vida. “Ensinar sobre a finitude ajuda a objetivar a existência, reduzindo a angústia existencial.”

Os sintomas do luto são divididos em fases: choque, negação, raiva, depressão e aceitação. Nesse processo, a pessoa experimenta desinteresse pela vida, culpa, baixa auto-estima, angústia, revolta. A duração e a intensidade desses sentimentos vão depender do histórico de perdas da pessoa, e também do grau de relação com quem morreu (a perda mais dura seria a de um filho, pois quebra um ciclo “ilusoriamente previsível”) e do tipo de morte. “Nas mortes traumáticas, acidente, suicídio, assassinato, pode haver uma fase de negação mais prolongada, a culpa e a revolta podem aparecer com mais intensidade”, diz a psicóloga Maria Helena Bromberg, do 4 Estações, um centro de pesquisas sobre luto e atendimento a enlutados, em São Paulo.

“A princípio eu ia fazer uma loucura, queria matar ele, a família, todo mundo”, diz o empresário Loudeber Castanho, 51, que perdeu a filha de 23 anos, assassinada a tiros supostamente pelo ex-namorado. O que o reteve e confortou foi “um lado espiritual” que a filha deixou. “Antes de morrer ela estava lendo “Somos todos Inocentes”, da Zíbia Gasparetto. Às vezes falava: “Pai, dá uma lidinha no que eu sublinhei. E eu, na correria, não dava atenção. Depois, transtornado, comecei a rastrear as frases e a decifrar o que ela queria me dizer. Descobri que o espírito não morre. Foi a única coisa que me acalmou”, diz.

Para superar o luto, é importante não sublimar a dor. “É para doer mesmo”, diz Maria Helena Bromberg. Faz bem à família se reunir para chorar, conversar sobre o assunto, olhar retratos. Os rituais também ajudam, porque a recuperação é centrada na aceitação. “O velório permite que as pessoas se despeçam e que o enlutado seja reconhecido como tal”, diz ela.O período luto-casa dura cerca de dois meses. Aí cessam as visitas e a dor costuma piorar. É quando costuma ocorrer uma tentativa de resgatar o cotidiano anterior à perda, o que é impossível. A psicóloga Clarice Pierre diz ser importante, nesse estágio, se desfazer de objetos e roupas de quem morreu, e mudar hábitos. Muita gente muda de casa, de profissão, se engaja em uma causa.

Seis meses depois de perder a filha de 18 anos num acidente de carro, o casal Eduardo Carlos Tavares, médico, e Glaucia Rezende Tavares, psicóloga, se engajou na causa de amparo a enlutados. Criaram o grupo API -Apoio a Perdas Irreparáveis, que em um ano de existência reúne 37 casais, a maioria que perdeu filhos. Os encontros acontecem na casa de um dos integrantes, e são um espaço de expressão do luto. “Em muitas famílias, é tabu tocar no assunto. Mas à medida que falamos vamos nos transformando e ganhando força para retomar a vida. Depois de uma perda, ou a gente fica amarga, ou mais sensível. Nosso objetivo é adoçar a vida sem esquecer nem hipervalorizar a pessoa que se foi”, diz Glaucia.

De maneira geral, leva-se de um a dois anos para “elaborar a perda”, no jargão dos especialistas. Nesse período vão ocorrer pela primeira vez as datas importantes: aniversário, Natal… Se os sintomas de luto persistem, é provável que a pessoa não esteja vivendo as etapas necessárias à superação. Freud, no texto “Luto e Melancolia”, compara essas duas condições que encerram “o mesmo estado de espírito penoso, a mesma perda de interesse pelo mundo externo”. Só que, no luto, diz Freud, “é o mundo que se torna pobre e vazio; na melancolia, é o próprio ego”. Nos dois casos, existe uma oposição à realidade. Mas, no luto, “normalmente prevalece o respeito pela realidade”, ou seja: uma hora termina e a alegria se torna, ao menos, possível.

O processo considerado “anormal” pelos especialistas tem duas reações opostas: ou a pessoa não sai do luto (é a mãe que arruma o quarto do filho, cultuando o morto todos os dias) ou nem sequer entra nele (a pessoa fica indiferente, não chora, age como se não tivesse acontecido). Nesse luto “adiado”, a dor fica guardada em algum lugar “e um dia vem à tona”, diz Maria Helena Bromberg.

Morte e transformação

A perda traz mudança de valores. “As pessoas passam a ter menos medo de errar, entendem que têm limites e vivem melhor o presente”, diz a psicóloga Clarice Pierre.

Foi o que aconteceu com a decoradora Vitoria Herzberg, que há dez anos perdeu o filho Daniel, 18, de câncer. Ela diz ter passado por todas as fases do luto. “Ou você se envolve na vida, ou os vivos acabam desistindo de você.”

Os sintomas do luto são divididos em fases: choque, negação, raiva, depressão e aceitação.

Luto/sofrimento

Causas

Exemplos de fatos que causam sofrimento incluem mudanças em:

  • Emprego (novo, perda, promoção ou rebaixamento, aposentadoria)
  • Relacionamentos (separação, divórcio, quando um filho sai de casa)
  • Saúde (doença, ferimento, acidente)
  • Fatos da vida (morte de amigo ou membro da família, perda de propriedade, mudança de casa ou de cidade)

O luto é um processo de sofrimento geralmente relacionado à morte de uma pessoa amada. Existem vários fatores que influenciam o modo como reagimos a perdas como a morte. Esses fatores incluem:

  • Idade
  • Saúde
  • O quão repentina foi a perda
  • Cultura
  • Crenças religiosas
  • Segurança financeira
  • Vida social
  • Antecedente de outras perdas ou eventos traumáticos

Cada um dos fatores acima pode aumentar ou diminuir a dor do luto. Tentar negar o sofrimento ou evitá-lo parece apenas criar mais problemas graves no futuro. Para atravessar o processo de luto de maneira saudável, é melhor entender o que é conviver com a perda.

Fases do luto:

Antes de uma pessoa em luto se sentir plena ou cicratizada, ela geralmente passa por 4 fases:

1. Choque. A pessoa se sente atordoada ou adormecida

2. Negação ou procura. A pessoa:

  • Fica em estado de incredulidade
  • Faz perguntas do tipo “porque isto aconteceu?” ou “porque eu não evitei isto?”
  • Procura maneiras de manter a pessoa amada ou a perda consigo : ex: objetos pessoais.
  • Pensa ver ou ouvir a pessoa perdida
  • Apenas começa a sentir a realidade do ocorrido

3. Sofrimento e desorganização. A pessoa:

  • Tem sentimentos como culpa, depressão, ansiedade, solidão, medo, hostilidade.
  • Pode culpar qualquer um ou qualquer coisa pelo ocorrido, incluindo a si mesma. Culpa-se por não ter lhe dado mais atenção, não ter sido melhor filho/pai/amigo/irmão.
  • Pode apresentar sintomas físico como dor de cabeça, dor de estômago, cansaço constante e falta de ar
  • Afasta-se dos contatos sociais e da sua rotina

4. Recuperação e aceitação. A pessoa:

  • Começa a olhar para o futuro em vez de se concentrar no passado.
  • Ajusta-se à realidade da perda
  • Desenvolve novos relacionamentos
  • Desenvolve uma atitude positiva

O cristianismo traz um grande consolo ao ensinar que aqueles que aceitam cristo pela fé irão passar a eternidade ao lado de Deus, no céu, onde não haverá mais dor e onde Cristo enxugará dos seus olhos toda lágrima. Ou, como disse o rei Davi, após a morte de seu filho: “ele não tornará mais a mim, mas eu irei para junto dele”. Um dia todos os que se entregaram a Cristo , pela fé, se reunirão nas bodas do Cordeiro e morarão em ruas de ouro.

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